Não ser sendo
Ás vezes eu queria ser mais forte. Forte do jeito que eu pareço, feliz do jeito de que eu pareço, segura do jeito que eu pareço ser. Ser o que eu pareço, não ser esse bichinho pequeno que eu ando me sentindo, encarcerado numa gaiola, e cheio de espinhos me atravessando. Eu tatuei uma rosa com espinhos no meu ombro e agora me parece que eles desceram pro meu peito. Eu to devagar desmontando. Tá doendo e muito. Eu to devagar despedaçando. Eu to em pedaços . Eu to devagar desmoronando. Eu sou ruína. Eu to devagar me desfazendo. Eu sou o pó.Meu pai me mostrou uma música que dizia que a gente devia saber que um dia não seremos mais que grãos de poeira no céu. Mas eu queria ser mais. Eu queria voar mas eu mesma cortei minhas asas . Eu enfiei uma faca na minha borboleta pra ela não voar mais. Porque eu queria ver ela sangrar mais e pra quem sabe ela não viver mais e eu ir junto com ela. Eu quero muito e não me dão nada. Eu quero tudo e quando eu tenho o tudo o que me resta é o nada. Eu tenho muito medo e quando eu acordo eu sonho e não consigo viver a minha realidade. O real me assusta. Prefiro o fantástico, o insólito, o onírico. Quando eu sonho, eu morro, porque me parece que não dá pra ser feliz nesse plano. Eu tenho muito medo de não ser o que eu desejo, planejo. Das coisas não darem tempo, mas eu já nem sei mais o que eu desejo. Quando eu tatuei o nevermind no braço eu queria seguir em frente, deixar pra lá, mas eu, na verdade, tava mais me espelhando no bebê afundado na capa tentando buscar uma nota de dinheiro no fundo de uma piscina, colocando sua vida em risco por um mísero dólar. Pensando melhor, eu sou bem pior que o bebê, eu coloco a minha vida em risco por muito menos. Eu me mataria por muito menos. Eu queria morrer agora por muito menos. E não há quem ligue pra essa coisa toda minha. Esse dito drama. Ninguém vai ligar, essa coisa toda acabou sendo só palavras. O que eu sinto se transforma em palavras ou pelo menos tenta se transformar. E o que eu sou? Rasa? simples? Não! Eu sou profunda, eu sou complexa, funda e complexa tão igual e proporcionalmente aos meus abismos nos quais eu caí e não sei me levantar. esse ano tá pesado. Eu to sozinha. Eu me vejo sozinha. Eu quero morrer. Mas eu não consigo. Não posso, não agora, não sei. Eu queria chorar mas não posso. Eu queria escrever mas não consigo. Eu to sozinha. Eu me vejo sozinha. Eu quero morrer. Mas eu não consigo. Não posso, não agora. Eu queria chorar mas não posso também, eu preciso ser forte. Eu queria escrever mas não consigo. Isso tá duro demais pra terminar. Deixa assim. Igual eu, sem nexo, inconclusa e com tudo bagunçado. Não tenho tempo de me organizar. Não tenho tempo pra nada nem pra mim e tenho todo tempo do mundo ao mesmo tempo. É contraditório mas é vero. É isso. Sou eu. Dialética. Oposição. Alegoria. Mas tudo isso não era teoria ? Será que eu me misturei a isso tudo? Será que eu me procurei nisso tudo? Será que eu tô escrevendo isso tudo pra me achar nesse rolo todo? Não sei. Não consigo terminar essa merda. Nada mais me faz sentido. Mas espera, quem disse que um dia eu fiz sentido? E que tipo de sentido? Lógico, semântico, sintático, esquerdo??
Não sei. Vá a merda tudo isso e essa merda de texto também.
Comentários
Postar um comentário