Sou mas não quero ser

Doeu. Eu Chorei .
Chorei porque me ardia,
Ver a falta de empatia
Que eu tive comigo mesma.

Doeu.
Doeu ver o quanto eu me coloquei pra baixo,
Pra erguer num pedestal
Aquilo que eu queria ser de fato...
Mas que nunca foi o que eu era...
Que idiotice!

Ah.. Se eu pudesse voltar atrás
E perceber na monotonia de meus atos
Em cada passo
Em cada gesto
O quanto de mim eu deixei pra trás

Ah...Se eu pudesse encarar que eu era isso, desde sempre isso.
Desde sempre simples
Desde sempre natural,
Mas que eu fiz questão de fazer ser complicado.

É dolorido, de fato, aceitar esse fato de que eu preciso muitas vezes sair de mim pra me encontrar..

É sofrido,
Notar que o que vejo no espelho é incômodo
Por que eu me camuflo feito um camaleão
Me metamorfoseio feito borboleta
E não porque eu não sei o que sou
E não porque eu seja tudo
E sim porque o que eu sou
não é tão grandioso como  minha ganância faz questão que seja
Não chama tanta atenção
Não faz alarde
Mas é o que sou
É o que de fato resta
É o que se revela quando eu pego uma caneta pra gritar.

A verdade é que é confuso
É contraditório
E por mais simples que me deveria ser... É na verdade complexo.
Sim! Complexo! Complexo de aceitar..
Complexo por tanto complexo que habitou e habita,
Que me fazem cuspir na minha própria essência e dizer não pra aquilo que na verdade é o sim.

Sim, eu lamento mas não vai ser hoje.
Em meio a tantas tentativas esdrúxulas,
Depois de tanto tentar tirar leite de pedra,
Eu estou aqui.
Eu me encarei de vez,
Tudo o que eu sempre me pedia aconteceu..
E não, não vai ser dessa vez.
Eu ainda não consigo..

O mundo é cheio de máscaras e tudo o que eu tenho feito e ainda quero fazer é me criar!
Me inventar mesmo existindo...
Já que infelizmente ainda é doído
Enxergar o que sou...
Quem sabe outro dia,
outra hora
Em um outro  encontro,
Num dia qualquer,
Onde eu esteja sentada num banco,
De uma praça
eu olharei pro céu
e enxergarei o você!
Que na verdade sou eu..
Que na verdade somente estou fugindo pra não se esbarrar comigo.

Ah ..que esse fado dura uma eternidade nos cronômetros do inconsciente..
Fere,
Machuca os nervos,
Faz o gozo de zangar a pele aparecer..
Que faz a lágrima virar tinta,
A paranóia caneta
A dor papel
E o distúrbio poesia
E dessa tola forma
De um jeito ou de outro
Depois que eu terminar essa sangria,
Ao ler esse verbo que eu queria que fosse poesia
Eu vou encontrar o eu
Que eu sou mas não quero ser.

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