Cotidiano
Cada amanhecer era uma escarrada do universo, como se a vida a rejeitasse, como se dissesse "O mundo só é vil com você, querida, porque você permite".
Ela se levantava da cama com um ar de derrota, com uma angústia no peito e um desespero por ter que viver. A mãe dela nem dava bom dia, dava uma ordem, dava um croque, uma crítica. O pai era silencioso ( na maior parte das vezes), não se pronunciava, era tanto fez, tanto faz para sua existência. Ela enrolava pro dia começar, saia pra estudar nem tinha tempo pra tomar café, fazia isso na faculdade com os trocados que roubava do porco de moedas gordo da mãe. Mal caratismo ? Não sei se posso dizer assim, ela estava mais pra uma pessoa que não queria nada da vida, que não via nada no futuro. Em todo lugar que ia, sentia que o mundo não queria a presença dela, ela era como um vômito de Deus, um dejeto que flutua em meio a um Rio sujo, sujo de pessoas. Pessoas que não sabem ser menos, pessoas que querem mais, pessoas que estão sempre por cima, e ela ? Ela estava sempre por baixo, sempre falida, sempre desgraçada. Amou na vida por duas míseras vezes e o amor fechou a porta na sua cara nas duas. Era insegura de tudo, se olhava no espelho todo final de tarde pra notar seus defeitos, espremia seus cravos e quando não aguentava mais se ver, arrastava o tronco na parede rebocada de concreto do quarto e se punha a choramingar, a pensar em tudo que poderia fazer pra se sentir bonita. Ela até tentava, pintava o cabelo, cortava, cortava sem dó porque não gostava dele queria uma liberdade, queria arrancar as mágoas com os fios, e sempre que os cortava acreditava que elas iriam sim sumir. Dizia todos os dias dizia pra si mesma "o amanhã é um dia diferente, eu vou me levantar diferente, vou ser diferente, fazer meu tempo valer".No final da noite tinha surto de epifania, pegava o caderno e se punha a escrever todo o sentimento que tinha, escrevia da sua pobreza, da sua tristeza, mas do que adiantava? Ela sabia que era miserável e não mudava. Ela não sabia escrever na primeira pessoa do discurso porque dizia que era dolorido, que sufocava, que era melhor fingir que a vida não era dela, que não passava de uma ficção mal contada. E nessa mesma hora, cansavasse de refletir e de escrever, dizia pra si mesma " não posso perder meu sono" e colocavasse a dormir, afinal amanhã era mais um novo dia, mais uma escarrada do amanhecer, mais um desespero, mais um dia em que ela viveria sem saber o porquê.
Ela se levantava da cama com um ar de derrota, com uma angústia no peito e um desespero por ter que viver. A mãe dela nem dava bom dia, dava uma ordem, dava um croque, uma crítica. O pai era silencioso ( na maior parte das vezes), não se pronunciava, era tanto fez, tanto faz para sua existência. Ela enrolava pro dia começar, saia pra estudar nem tinha tempo pra tomar café, fazia isso na faculdade com os trocados que roubava do porco de moedas gordo da mãe. Mal caratismo ? Não sei se posso dizer assim, ela estava mais pra uma pessoa que não queria nada da vida, que não via nada no futuro. Em todo lugar que ia, sentia que o mundo não queria a presença dela, ela era como um vômito de Deus, um dejeto que flutua em meio a um Rio sujo, sujo de pessoas. Pessoas que não sabem ser menos, pessoas que querem mais, pessoas que estão sempre por cima, e ela ? Ela estava sempre por baixo, sempre falida, sempre desgraçada. Amou na vida por duas míseras vezes e o amor fechou a porta na sua cara nas duas. Era insegura de tudo, se olhava no espelho todo final de tarde pra notar seus defeitos, espremia seus cravos e quando não aguentava mais se ver, arrastava o tronco na parede rebocada de concreto do quarto e se punha a choramingar, a pensar em tudo que poderia fazer pra se sentir bonita. Ela até tentava, pintava o cabelo, cortava, cortava sem dó porque não gostava dele queria uma liberdade, queria arrancar as mágoas com os fios, e sempre que os cortava acreditava que elas iriam sim sumir. Dizia todos os dias dizia pra si mesma "o amanhã é um dia diferente, eu vou me levantar diferente, vou ser diferente, fazer meu tempo valer".No final da noite tinha surto de epifania, pegava o caderno e se punha a escrever todo o sentimento que tinha, escrevia da sua pobreza, da sua tristeza, mas do que adiantava? Ela sabia que era miserável e não mudava. Ela não sabia escrever na primeira pessoa do discurso porque dizia que era dolorido, que sufocava, que era melhor fingir que a vida não era dela, que não passava de uma ficção mal contada. E nessa mesma hora, cansavasse de refletir e de escrever, dizia pra si mesma " não posso perder meu sono" e colocavasse a dormir, afinal amanhã era mais um novo dia, mais uma escarrada do amanhecer, mais um desespero, mais um dia em que ela viveria sem saber o porquê.
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