Do como escrever também maltrata..
Eu vivo escrevendo desde que me entendo por gente e pode ser que isso tenha me destruído um pouco. Eu perdi, no decorrer dos tempos, a habilidade de me transbordar pessoalmente, de olhar nos olhos, de falar com voz e som o que eu quero e penso. Eu me acomodei nessa vida de escrever num papel ou o que quer que seja tudo aquilo que em mim percorre, tudo aquilo que me edifica ou não, tudo aquilo que me apavora ou me apaixona. E sendo assim, eu esqueci de dividir, com quem tava do meu lado qualquer coisa sobre mim. As palavras, o papel, tudo me parece tão mais seduzente, tão mais sólido. Como eu posso, sabendo que eu sou tão pouco, que erro tanto, sofro tanto, confiar em alguém como eu, ser humano, que pode num piscar de olhos me decepcionar... Mas eu nunca parei pra pensar que no fundo, a decepção sempre sou eu, as pessoas vem num mar e entrega e sentimento pro meu lado e eu com esse meu jeito enroscado pareço não corresponder, mas ah, eu correspondo, do meu jeito sozinho, com a caneta rabiscando os caminhos que esboçam com todo o carinho, o que eu carrego dentro do meu coração. Ah, quem dera se o mundo soubesse, que a minha alma não padece, no meio da frieza que eu chego a passar. Eu poderia mandar uns versos, pra todo mundo, mostrar que eu sou profunda, que existe algo aqui dentro, que nada é oco como parece ser.. Mas com esse meu jeito virado, de somente escrever eu adquiri uma vergonha, de mostrar aquilo que eu esboço. .. E aí eu fico assim, num dilema, de quem sente tanto, sonha tanto, mas não transparece e que perde tanto, todo dia um pouco padece, quando as pessoas se vão, por quererem o carinho que não parece me habitar. Parece uma cruz, um fado a ser carregado não sei... Me acomodei nesse estado e aqui estou, desabafando no Papel o sufoco que ele mesmo me causou.
Comentários
Postar um comentário